18/12/2025 - Projeto com duração de quatro anos prevê a instalação de sete transmissores por temporada. ↓
A temporada reprodutiva de tartarugas marinhas alcançou, no litoral capixaba, um marco importante: no último dia 6 de dezembro, a equipe instalou o último transmissor do segundo ano do Projeto de Monitoramento de Médio Prazo da Tartaruga-de-Couro por Telemetria Satelital.
Neste ano, as sete fêmeas monitoradas receberam nomes inspirados em suas presas favoritas , em sua maior parte as águas-vivas:
Áurea – inspirado na espécie Aurelia aurita, uma das águas-vivas mais conhecidas do mundo.
Cassiopeia – derivado do gênero Cassiopea, águas-vivas que vivem de cabeça para baixo no fundo. Nome tem referencia na mitologia grega;
Medusa – outro nome com referência na mitologia grega, é a mais clássica das águas-vivas;
Olíndia – de Olindias sambaquiensis, a “caravela-do-sul”, uma hidromedusa comum no Atlântico Sul.
Pelágia – de Pelagia noctiluca, água-viva bioluminescente do Atlântico.
Salpa – tunicado transparente em forma de cilindro, muito comum no plâncton.
Velela – de Velella velella, colônia flutuante de cnidários também conhecida como “Veleiro”.

Embora a primeira fêmea tenha sido flagrada em 8 de outubro, o monitoramento via satélite começou oficialmente no dia 18 do mesmo mês, com a instalação do transmissor na fêmea Áurea, em Comboios. Entre as tartarugas acompanhadas, Salpa já completou seu ciclo na praia e iniciou sua migração rumo ao mar aberto.
Até o momento, a temporada 2025/26 já identificou 9 fêmeas, mas a estimativa das equipes que monitoram a praia é de que outras 3 ainda circulem pela região.
Outro destaque interessante é a tartaruga Mãe-de-Ouro, marcada em 2024 durante o primeiro ano do projeto, e que continua transmitindo dados há mais de 400 dias. Ao sair do litoral Capixaba ela foi se alimentar próximo à região da foz do Rio da Prata entre Argentina e Uruguai e depois migrou para uma área oceânica próximo às ilhas de Tristão da Cunha.

"Com mais esta etapa vencida, esperamos encaixar novas peças fundamentais no quebra-cabeça da bioecologia desta espécie criticamente ameaçada", afirma Alexsandro Santos, Coordenador de Pesquisa e Conservação da Fundação Projeto Tamar no ES.
"Você pode acompanhar a jornada destas viajantes dos oceanos através da nossa plataforma digital gratuita. O portal de monitoramento foi desenvolvido em parceria com a Appix Tecnologia e Informação.
A Fundação Projeto Tamar e a Reserva Biológica de Comboios, do ICMBio protegem, desde a década de 1980, as tartarugas-de-couro e seus ninhos na região norte do Espírito Santo.

A realização do Projeto de Monitoramento de Médio Prazo da Tartaruga-de-Couro por Telemetria Satelital é uma medida de monitoramento exigida pelo licenciamento ambiental federal, conduzido pelo IBAMA, dentro da Atividade de Pesquisa Sísmica Marítima 3D/4D Streamer e Nodes na Bacia de Campos – Cluster BC realizada pela Petrobras.
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